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Washington Post | Quem espiou Pedro Sánchez? Moncloa fala em intrusões “ilícitas” e “externas”

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Subscrever Os ataques ocorreram numa altura em que Espanha lidava com uma crise migratória, com mais de oito mil pessoas a entrar em Ceuta diante da passividade de Marrocos. Uma situação que surgiu depois de o governo ter autorizado a entrada no país do líder da Frente Polisário, Brahim Gali, para ser tratado contra a covid-19. A fuga da informação veio de Rabat, que a Amnistia Internacional acusou de usar o Pegasus para espiar críticos do regime e até o presidente francês, Emmanuel Macron. Marrocos nega

O governo espanhol revelou ontem que o telemóvel do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, e o da ministra da Defesa, Margarita Robles, foram alvo do programa de espionagem Pegasus em maio e junho do ano passado. A revelação surge depois de o Executivo ter ficado debaixo de fogo na semana passada, acusado de espiar os independentistas catalães após o referendo de 2017. A questão é agora perceber quem está por detrás do ataque a Sánchez e a Robles e que informação pode ter sido roubada.

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O ministro da Presidência, Félix Bolaños, disse numa conferência de imprensa que, considerando que numa democracia como a espanhola “todas as intervenções que podem ocorrer são da parte de organismos oficiais e com autorização judicial”, não há dúvida “de que é uma infeção externa”. O governo não apontou o dedo a um país – em teoria, só agências estatais podem ter acesso ao software dos israelitas NSO Group -, qualificando estas intrusões de “ilícitas” e “externas” e pedindo uma investigação.

Segundo a Moncloa, os telemóveis de trabalho (não os pessoais) de Sánchez e de Robles terão sido espiados em maio e junho de 2021. No caso do primeiro-ministro, houve dois ataques, tendo sido tirados, no primeiro, 2,6 gigas de informação e, no segundo, 130 megas. Já no caso da ministra, num único ataque só foram retirados 9 megas de informação . Em nenhum dos casos se revelou o que foi tirado, com Bolaños a dizer ainda que não há provas de novos roubos e que os telemóveis de outros ministros estavam a ser investigados.

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Subscrever Os ataques ocorreram numa altura em que Espanha lidava com uma crise migratória, com mais de oito mil pessoas a entrar em Ceuta diante da passividade de Marrocos. Uma situação que surgiu depois de o governo ter autorizado a entrada no país do líder da Frente Polisário, Brahim Gali, para ser tratado contra a covid-19. A fuga da informação veio de Rabat, que a Amnistia Internacional acusou de usar o Pegasus para espiar críticos do regime e até o presidente francês, Emmanuel Macron. Marrocos nega.

Mas em maio de 2021 o atual líder do governo catalão, Pere Aragonés, também chegava ao poder e o governo espanhol preparava o indulto aos independentistas presos. A revelação de ontem surge depois da polémica em relação à alegada espionagem do governo aos telemóveis dos líderes independentistas. Segundo os canadianos do Citizen Lab, pelo menos 65 pessoas ligadas ao movimento foram alvo do Pegasus. O governo não confirmou nem desmentiu, alegando que em Espanha todas as intervenções são feitas ao abrigo da justiça, prometendo transparência na investigação e defendendo o trabalho dos serviços de informação (o CNI).

O caso veio prejudicar a relação complicada entre o governo e a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC). Ontem, o líder deste partido, Oriol Junqueras, pôs em causa a “credibilidade” e “verosimilhança” da denúncia de espionagem dos telemóveis de Sánchez e Robles, sugerindo que pode ser uma “cortina de fumo para tentar diluir as suas responsabilidades” na espionagem aos independentistas. Os catalães têm vindo a exigir a demissão da ministra da Defesa, que deverá ser ouvida no Congresso na quarta-feira por causa deste caso.

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