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Em sua última cúpula do G-7, Merkel não quer deixar protagonismo na mão de Biden

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Fin de semana de tormentas vespertinas que suavizarán el calor veraniego

PUBLICIDADE O G-7 é um lembrete a Merkel da necessidade de uma ação conjunta para lidar com os problemas mais intratáveis do mundo: em sua primeira cúpula, em 2006, em São Petersburgo, os líderes discutiram o conflito de Israel com o Hamas, o programa nuclear do Irã e as mudanças climáticas — tópicos que poderiam facilmente estar na agenda neste fim de semana

BERLIM — Enquanto Angela Merkel se prepara para sua última reunião do G-7 e Joe Biden para a primeira como presidente, nesta sexta-feira, as diferenças entre os dois vão além da simples experiência deles na cúpula.

Merkel faz parte de um contingente europeu de peso para o G-7 que está emergindo da pandemia excepcionalmente unido e determinado a conquistar um papel global maior, no mesmo nível de seu aliado americano.

Para a chanceler, Emmanuel Macron, da França, e o italiano Mario Draghi, bem como para os líderes da União Europeia (UE) que ganham um assento à mesa, o alívio é genuíno com a perspectiva de lidar com Biden em vez de Donald Trump. No entanto, suas grandes esperanças para a cúpula não diminuem a sensação crescente de que, coletivamente, eles precisam sair da sombra dos EUA e influenciar a política em Washington, em vez de aceitar mansamente a linha americana.

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Um acordo iminente para arquivar conflitos pendentes entre a UE e os EUA mostra o desejo mútuo de trabalhar juntos. No entanto, há aborrecimento em Berlim, Paris e Bruxelas com o apelo de Biden para salvar o mundo da Covid-19, depois que os EUA reservaram suas vacinas para os americanos, enquanto a Europa recebeu críticas internas por exportar imunizantes globalmente — cerca de 300 milhões desde janeiro —, incluindo aos outros membros do G-7, Canadá e Japão.

Para a Europa, a pandemia ilustra a necessidade de chegar a Washington. É uma busca por uma maior influência que aparece em sintonia com a opinião pública, com pesquisas nesta semana sugerindo que os rachas transatlânticos persistem depois de Trump. O G-7 está planejando uma promessa de um bilhão de novas doses no próximo ano, de acordo com o esboço de um comunicado. O governo Biden planeja comprar 500 milhões de doses da Pfizer/BioNTech para compartilhar.

O G-7 mostrará ao mundo “que a aliança e seus líderes estão de volta depois de Trump e da pandemia para enfrentar os problemas globais”, disse Peter Beyer, coordenador de Relações Transatlânticas do governo alemão. Ainda assim, disse ele, “não se trata apenas de retornar à velha aliança ocidental, mas sim de forjar um novo Ocidente“.

Notícias em imagens nesta quinta-feira pelo mundo Indígenas Misak enfrentam a tropa de choque durante um protesto contra o governo do presidente colombiano Ivan Duque em Bogotá Foto: JUAN BARRETO / AFP Manifestantes com escudos enfrentam a tropa de choque durante um protesto contra o governo do presidente colombiano Iván Duque, em Bogotá Foto: JUAN BARRETO / AFP Apoiadores do candidato presidencial peruano de esquerda pelo partido Peru Libre, Pedro Castillo, protestam em frente ao prédio do Júri Eleitoral Nacional em Lima. Com mais de 99% dos votos apurados, a diferença entre os candidatos é de 0,5% Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP Apoiadores da candidata peruana pelo Partido Força Popular, Keiko Fujimori, protestam em frente ao prédio do Organismo Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) em Lima. Sem apresentar qualquer prova, a filha do ditador Alberto Fujimori, acusou o sistema eleitoral de fraude, insuflando apoiadores Foto: Ernesto Benavides / AFP O presidente dos EUA, Joe Biden, fala ao pessoal da Força Aérea dos EUA e suas famílias na Royal Air Force Mildenhall, Suffolk, Inglaterra, antes da Cúpula do G7 de três dias. Os líderes do G7 do Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos se encontram neste fim de semana pela primeira vez em quase dois anos Foto: Brendan Smialowsk / AFP Pular PUBLICIDADE Visitantes aguardam a exibição da série de TV 'Ich und die Anderen' (Eu e os outros) em frente ao palácio de Charlottenburg, em Berlim, onde acontece até dia 20 de junho o Berlinale Summer Special, festival de cinema que, devido à pandemia, acontecerá puramente ao ar livre com testes obrigatórios para todos os espectadores, em 16 locais Foto: Michael Sohn / AFP PUBLICIDADE Enquanto Biden voava para o G-7, uma cúpula da Otan, conversas entre UE e EUA, e, depois, uma reunião com seu homólogo russo Vladimir Putin, há uma sensação na Europa de que existe uma chance de avançar com sua causa. Dois funcionários da UE citaram os resultados do programa de vacinação do bloco, a economia da área do euro se recuperando fortemente e a chegada iminente de um grande estímulo pandêmico da UE como fatores encorajadores.

Mais do que apenas confiança, os líderes europeus têm certo grau de certeza de que provaram que estão corretos em questões que vão do clima ao Irã e têm o direito de fazer com que suas opiniões sejam ouvidas. Quatro anos de Trump criaram muita desconfiança, mas também uma convicção de que a Europa deveria ser menos submissa aos Estados Unidos, disse uma pessoa que está trabalhando na reunião de Biden com os europeus.

— A União Europeia pode ser a pioneira quando se trata de ideias para o mundo — disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que participará do G-7, em uma entrevista esta semana para a Bloomberg e para um pequeno grupo de outros veículos.

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PUBLICIDADE Citando tópicos da cúpula, de ação climática à tributação de grandes corporações e certificados de vacinas, ele disse que a UE tem mais influência do que se acredita, e “às vezes esquecemos isso na Europa“. Isso difere da ênfase do governo Biden em um retorno da liderança americana.

“Seja atuando para acabar com a pandemia da Covid-19 em todos os lugares, atendendo às demandas de uma crise climática em aceleração ou enfrentando as atividades prejudiciais dos governos da China e da Rússia, os Estados Unidos devem liderar o mundo com uma posição de força”, disse Biden em um artigo de opinião publicado no jornal Washington Post no domingo.

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Autoridades europeias falam da decepção com o fato de as políticas de Biden terem algumas características da postura dos “EUA em primeiro lugar” de Trump. A UE levantou preocupações com os americanos sobre a retirada surpresa de Biden das tropas do Afeganistão, onde vários Estados-membros, incluindo a Alemanha, têm tropas, de acordo com pessoas familiarizadas com as discussões. Um funcionário disse que o novo governo parece apostar na boa vontade simplesmente porque Biden não é Trump.

— Esperávamos mais mudanças com Biden — disse Françoise Nicolas, diretora do Centro de Estudos da Ásia do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri, na sigla em francês) em Paris.

PUBLICIDADE O que impulsiona a Europa é a constatação de que há uma pequena janela para que seus maiores rebatedores promovam seus interesses comuns. Macron enfrenta uma campanha eleitoral difícil antes da eleição presidencial do próximo ano, enquanto Draghi, o ex-chefe do Banco Central Europeu nomeado líder tecnocrático da Itália, provavelmente não ocupará o cargo depois de 2023.

O mais urgente de tudo é que Merkel não se candidatará às eleições alemãs de setembro, o que significa que este é o seu canto do cisne no G-7. Ela não vai ficar para trás, no entanto, e vai pressionar por um sinal claro para Minsk e Moscou sobre os recentes eventos na Bielorrússia e o envolvimento da Rússia , de acordo com um alto funcionário do governo alemão com conhecimento de seu planejamento.

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As disputas persistem com os EUA no gasoduto Nord Stream 2 , um ponto de disputa assumido por Trump e mantido sob Biden. Uma delegação de Berlim se reuniu com o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, em Washington na semana passada, mas pouco progresso foi feito.

Trump não escondeu seu desprezo pela UE, pela Otan e por Merkel pessoalmente. Visto de Berlim, embora os anos Trump tenham acabado, permanece a lição de que a Europa terá que se manter por conta própria, disse um funcionário do governo alemão. É com base nisso que Merkel agora negociará com Biden.

PUBLICIDADE O G-7 é um lembrete a Merkel da necessidade de uma ação conjunta para lidar com os problemas mais intratáveis do mundo: em sua primeira cúpula, em 2006, em São Petersburgo, os líderes discutiram o conflito de Israel com o Hamas, o programa nuclear do Irã e as mudanças climáticas — tópicos que poderiam facilmente estar na agenda neste fim de semana.

Biden será o quarto presidente dos EUA que Merkel conhece. Neste período, ela trabalhou com dois primeiros-ministros canadenses, três japoneses, quatro presidentes franceses, cinco líderes britânicos e dez italianos. Uma constante durante todo o tempo tem sido Putin — uma falante de russo, Merkel fala regularmente com o presidente russo para importuná-lo sobre a Ucrânia, e Biden certamente usará seu conhecimento antes de seu encontro com Putin em Genebra. A outra é que ela era a única mulher líder em 2006 — e será novamente neste G-7.

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Certamente, há entusiasmo em relação à cúpula na Cornualha. Alemanha, França e Itália querem fortalecer a cooperação com Washington. Os EUA sinalizaram seu apoio à UE em seu impasse do Brexit com o Reino Unido, enquanto Bruxelas deve apoiar a pressão dos EUA por uma nova investigação sobre a origem da Covid-19.

PUBLICIDADE Apesar de todas as diferenças entre os líderes do G-7, as estrelas podem estar se alinhando para a ação conjunta, que, afinal, é o forte da Europa.

Todos eles querem deixar sua marca e realmente fazer algo — disse Nicolas, do Ifri.

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